O que escrever quando você não sabe o que dizer

Você senta com o caderno, abre a página em branco, e nada vem. Sua mente está vazia. Ou está tão cheia que você não consegue identificar por onde começar. Você sabe que quer manter o ritual, que precisa manter, mas não sabe o que escrever. E aqui está o problema: quando você não sabe o que escrever, é fácil desistir. É fácil pensar “hoje não vai dar, deixo para amanhã.” E amanhã vira nunca mais.

Mas aqui está a verdade que ninguém te conta: os dias em que você não sabe o que escrever são frequentemente os dias mais importantes para escrever. Porque quando sua mente está vazia, você não está apenas registrando o óbvio. Você está criando espaço para que o que está realmente acontecendo emerja. E quando sua mente está muito cheia, escrever é exatamente o que você precisa para desembaraçar.

O problema não é falta de coisas para escrever. O problema é que você está esperando saber exatamente o que escrever antes de começar. Mas escrita não funciona assim. Você descobre o que escrever ao escrever. Você não precisa chegar com respostas prontas. Você precisa apenas começar, e as palavras vêm.

Este guia existe para te mostrar o que fazer nesses dias em branco, nesses dias confusos, nesses dias onde você quer manter o ritual mas não sabe por onde começar. Porque talvez o que você deixou para trás não foi a capacidade de escrever, mas a permissão de escrever sem saber aonde vai.

Por que sua mente fica em branco

Existem razões diferentes para a mente ficar em branco, e cada uma solicita uma abordagem diferente.

Brancura por cansaço: Você está tão exausto que sua mente não consegue acessar pensamentos. Tudo está nebuloso, lento, pesado.

Brancura por aceleração: Você está tão acelerado que sua mente está pulando de um pensamento para outro sem conseguir pousar em nenhum. É como tentar pegar água com as mãos abertas.

Brancura por medo: Você sabe que há algo que precisa ser dito, mas tem medo de dizer. Então sua mente fica em branco como forma de proteção.

Brancura por vazio: Você simplesmente não sente nada hoje. Não está triste, não está feliz, não está ansioso. Está vazio. E vazio é difícil de escrever.

Brancura por confusão: Há tantas coisas acontecendo que você não consegue identificar por onde começar. Tudo parece igualmente importante e igualmente confuso.

Identificar qual tipo de brancura você está vivendo já te dá direção sobre o que fazer.

Técnicas para quando você não sabe o que escrever

Técnica 1: Escreva sobre o branco

Se sua mente está em branco, escreva sobre isso. Literalmente.

“Minha mente está em branco hoje. Não sei o que escrever. Está tudo vazio. Ou talvez não esteja vazio, talvez esteja tão cheio que não consigo ver nada. Não sei. Estou confuso.”

Quando você escreve sobre a brancura, frequentemente a brancura começa a revelar o que está por baixo dela. Porque brancura raramente é verdadeira brancura. É proteção. É confusão. É medo. E quando você começa a escrever sobre ela, ela se dissolve.

Técnica 2: Escreva uma lista

Se você não consegue escrever prosa, escreva lista. Qualquer coisa que esteja na sua cabeça, mesmo que não faça sentido.

  • Cansado
  • Aquela conversa de ontem
  • Preciso fazer aquilo
  • Não quero fazer aquilo
  • Meu ombro dói
  • Estou com fome
  • Não sei por que estou aqui
  • Tudo parece sem sentido

Uma lista é escrita. Conta como ritual. E frequentemente, ao escrever a lista, você identifica um item que quer explorar mais. E aí você tem seu ponto de partida.

Técnica 3: Responda uma pergunta aleatória

Quando você não sabe o que escrever, deixe a pergunta decidir. Escolha uma ao acaso:

  • “Se eu fosse honesto agora, o que eu diria?”
  • “O que eu estou fingindo não sentir?”
  • “O que eu não quero admitir?”
  • “Se ninguém fosse saber, o que eu pensaria?”
  • “O que está aqui que eu não quero ver?”
  • “Como eu realmente estou?”
  • “O que eu preciso que alguém saiba sobre mim?”
  • “O que eu estou carregando sozinho?”

Às vezes você precisa apenas de uma pergunta para destravar. A pergunta certa abre a porta que estava fechada.

Técnica 4: Escreva para alguém

Se você não consegue escrever para si mesmo, escreva para outra pessoa. Uma carta.

“Querido [pessoa], hoje eu queria te contar que…”

Ou escreva como se estivesse falando com seu eu do futuro, seu eu do passado, sua mente, seu coração, qualquer coisa que te ajude a acessar palavras.

Frequentemente, quando você escreve para alguém, as palavras fluem mais fácil. Porque você não está mais tentando ser perfeito para si mesmo. Você está apenas conversando.

Técnica 5: Escreva sobre o que você não quer escrever

Se há algo que você sabe que deveria escrever mas não quer, escreva sobre por que não quer.

“Não quero escrever sobre aquilo porque… porque me assusta. Porque se eu admitir, terei que fazer algo a respeito. Porque é mais fácil fingir que não está acontecendo.”

Quando você escreve sobre a resistência, frequentemente a resistência se dissolve. E então você consegue escrever sobre a coisa que você estava evitando.

Técnica 6: Escreva sobre o seu dia em terceira pessoa

Se você não consegue acessar seus sentimentos, descreva seu dia como se estivesse contando sobre outra pessoa.

“Ele acordou cansado. Tomou café. Foi trabalhar. Teve uma reunião. Comeu sozinho. Voltou para casa. Agora está aqui, tentando escrever mas não sabe o que dizer.”

Quando você coloca distância assim, frequentemente consegue ver coisas que não conseguia ver de dentro. E então, depois de descrever em terceira pessoa, você pode voltar para primeira pessoa e explorar mais profundamente.

Técnica 7: Use um prompt de escrita

Existem milhões de prompts de escrita na internet. Escolha um aleatoriamente e responda.

Alguns exemplos:

  • “O que eu gostaria de ter dito mas não disse?”
  • “Se eu pudesse mudar uma coisa no meu dia, seria…”
  • “A pessoa que eu mais admiro é… porque…”
  • “Tenho medo de…”
  • “Estou grato por…”
  • “Se ninguém fosse julgar, eu…”

Um prompt bom é como uma chave. Abre a porta que estava trancada.

Técnica 8: Escreva sobre sensações físicas

Se sua mente está em branco, seu corpo não está. Seu corpo sempre sabe algo.

“Meu peito está apertado. Minha garganta está seca. Meus ombros estão tensos. Meu estômago está embrulhado. Minha cabeça está pesada.”

Quando você começa a descrever sensações físicas, frequentemente emoções começam a aparecer. Porque corpo e emoção estão conectados. E quando você acessa uma, a outra vem junto.

Técnica 9: Escreva sobre o que você não quer pensar

Se há algo que você está evitando conscientemente, escreva sobre isso.

“Estou evitando pensar em… porque se eu pensar, vou ter que sentir. E se eu sentir, vou ter que fazer algo. E não quero fazer nada agora.”

Quando você escreve sobre o que está evitando, você frequentemente descobre que o que você está evitando não é tão assustador quanto parecia. E então você consegue encarar.

Técnica 10: Escreva apenas uma palavra, depois outra, depois outra

Se nada funciona, faça o mínimo. Escreva uma palavra. Depois outra. Depois outra. Sem pressão de fazer sentido. Apenas palavras.

“Cansado. Confuso. Vazio. Pesado. Esperando. Nada. Tudo. Aqui. Agora. Não sei. Talvez. Sim. Não. Talvez sim.”

Frequentemente, ao escrever assim, algo emerge. Uma frase. Uma ideia. Uma sensação. E aí você tem seu ponto de partida.

O que fazer quando absolutamente nada funciona

Tem dias onde você tenta tudo e nada funciona. Sua mente está completamente bloqueada. E está tudo bem. Nesses dias, você faz o mínimo:

Opção 1: Escreva “não tenho nada para escrever hoje”

Apenas isso. Uma linha. Pronto. Você manteve o ritual. Você abriu o caderno. Você escreveu algo. Conta.

Opção 2: Faça uma marca

Uma linha. Um ponto. Um X. Qualquer coisa que diga: “Eu estava aqui hoje.”

Opção 3: Escreva a data

Apenas a data. Nada mais. Mas você registrou que hoje existiu.

Opção 4: Faça mental

Você não consegue escrever? Tudo bem. Pense. Apenas pense as respostas. Não é ideal, mas é melhor que nada.

O importante é manter o ritual vivo. E manter vivo significa aparecer, mesmo que seja apenas para fazer uma marca. Porque um dia em branco não mata o hábito. Mata o hábito a ausência repetida.

Por que os dias em branco são importantes

Aqui está o segredo: os dias em que você não sabe o que escrever frequentemente levam aos escritos mais profundos. Porque quando você não tem resposta pronta, você precisa cavar mais fundo. Você precisa ser honesto sobre a brancura, sobre a confusão, sobre o vazio.

E aquele espaço de honestidade radical, aquele lugar onde você admite que não sabe, que está confuso, que está vazio, é onde a transformação real acontece. Porque é só quando você admite que não sabe que você pode começar a descobrir.

Então não desista nos dias em branco. Esses são os dias que mais importam. Use uma das técnicas acima. Escreva sobre o branco. Escreva uma lista. Responda uma pergunta aleatória. Faça o que for necessário. Mas mantenha o ritual vivo.

Porque talvez, quando você olhar para trás, descubra que os dias em que você não sabia o que escrever foram os dias em que você mais descobriu sobre si mesmo.

Comece agora, mesmo sem saber

Você não precisa saber o que vai escrever antes de começar. Você descobre ao escrever. Então pegue seu caderno agora. Abra. E use uma das técnicas acima. Não pense muito. Apenas comece.

Porque talvez o que você deixou para trás não foi a capacidade de escrever, mas a coragem de começar sem saber aonde vai. E recuperar essa coragem pode ser o começo de finalmente escrever os dias que mais importam, aqueles dias em branco que, quando você finalmente consegue acessar, revelam verdades que mudam tudo.

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