Perguntas para ver o que realmente mudou em você

Um mês passa rápido. Trinta dias que parecem se dissolver entre obrigações, rotinas e pequenos acontecimentos que você mal registra. E quando chega o fim do mês, você olha para trás e tem a sensação de que nada mudou, de que você é a mesma pessoa, vivendo a mesma vida. Mas isso raramente é verdade. Mudanças acontecem o tempo todo, sutis demais para serem notadas no dia a dia, mas significativas quando você para para olhar com atenção. Revisar seu mês não é sobre listar o que você fez. É sobre enxergar quem você se tornou no processo.

O problema é que a maioria das pessoas não revisa. Vive no piloto automático, passando de um mês para o outro sem pausar para processar. Sem perceber padrões que se repetem, sem reconhecer pequenas vitórias, sem identificar o que está te drenando ou o que está te nutrindo. E sem essa revisão consciente, você perde a oportunidade de aprender com sua própria experiência, de ajustar o curso, de celebrar progressos que passam despercebidos.

Estas perguntas existem para te ajudar a fazer essa revisão de forma profunda. Não são perguntas sobre produtividade ou metas cumpridas. São perguntas sobre transformação interna, sobre mudanças emocionais, sobre quem você está se tornando. Porque no final, o que importa não é quantas coisas você fez no último mês, mas como essas coisas te mudaram. E se você não para para enxergar essas mudanças, elas acontecem sem que você as reconheça ou aprenda com elas.

Perguntas sobre mudanças emocionais

Que emoção dominou seu mês? Não a emoção que você gostaria de ter sentido, mas aquela que realmente esteve mais presente. Foi ansiedade? Cansaço? Esperança? Tédio? Frustração? Identificar a emoção predominante te dá uma fotografia emocional do seu mês.

Houve algum momento em que você se sentiu diferente de como normalmente se sente? Um momento de leveza inesperada, de coragem surpreendente, de paz que você não costuma experimentar? Esses momentos são pistas de quem você pode ser quando certas condições se alinham.

Que sentimento você carregou o mês inteiro sem processar? Aquela emoção que ficou no fundo, que você empurrou para continuar funcionando, que nunca teve espaço para ser completamente sentida. Ela ainda está aí, esperando atenção.

Você se sentiu mais leve ou mais pesado ao longo do mês? E o que contribuiu para essa sensação? Foram circunstâncias externas ou algo interno que mudou?

Perguntas sobre relacionamentos e conexões

Com quem você passou mais tempo neste mês? E essa pessoa te deixou mais perto ou mais longe de quem você quer ser?

Houve algum relacionamento que mudou, mesmo que sutilmente? Alguém que ficou mais próximo ou mais distante? E você contribuiu ativamente para essa mudança ou ela simplesmente aconteceu?

Que conversa deste mês ainda está na sua cabeça? O que foi dito que te marcou, te incomodou ou te fez pensar diferente?

Você se sentiu visto e compreendido por alguém este mês? Ou passou o mês inteiro sentindo que estava performando, que ninguém realmente te conhecia?

De quem você sentiu falta mas não procurou? E o que te impediu de fazer contato?

Perguntas sobre escolhas e comportamentos

Que decisão você tomou neste mês que te surpreendeu? Algo que você não esperava fazer, que saiu do seu padrão habitual, para melhor ou para pior.

Que padrão você repetiu mesmo sabendo que não te serve? Aquele comportamento automático que você reconhece mas ainda não conseguiu mudar.

Houve algum momento em que você agiu de acordo com quem quer ser, em vez de agir no piloto automático? Como foi? O que te permitiu fazer diferente?

O que você adiou este mês que continua te incomodando? Que decisão, conversa ou ação você empurrou para frente e que ainda pesa na sua consciência?

Você disse sim para algo que deveria ter dito não? Ou disse não para algo que deveria ter tentado? O que te fez escolher assim?

Perguntas sobre crescimento e aprendizado

O que você aprendeu sobre si mesmo neste mês que não sabia antes? Pode ser algo pequeno, uma percepção sobre como você reage, sobre o que te aciona, sobre o que te acalma.

Que crença sobre você mesmo foi desafiada? Algo que você sempre achou que era verdade sobre quem você é, mas que este mês te fez questionar.

Você se surpreendeu com alguma reação sua? Um momento em que você esperava sentir ou fazer uma coisa, mas sentiu ou fez outra completamente diferente?

Houve alguma situação que te mostrou um lado seu que você não gosta? E o que você fez com essa descoberta? Ignorou, justificou ou realmente olhou para ela?

O que ficou mais fácil este mês comparado ao mês passado? Mesmo que seja algo pequeno, algo que antes custava mais esforço e agora flui um pouco melhor.

Perguntas sobre energia e bem-estar

O que te deu energia este mês? Não o que você acha que deveria te energizar, mas o que realmente te fez sentir mais vivo, mais presente, mais você.

O que drenou sua energia de forma desproporcional? Aquela coisa que parece pequena mas que te esgota emocionalmente de um jeito que você não entende completamente.

Você cuidou de si mesmo neste mês ou apenas sobreviveu? Houve momentos de autocuidado genuíno ou você esteve no modo sobrevivência o tempo todo?

Como está seu corpo? Ele está te dizendo algo que você está ignorando? Tensão, cansaço, dores que aparecem sempre nos mesmos lugares?

Você dormiu bem? E se não, o que está te tirando o sono? Preocupações práticas ou algo mais profundo que você não quer olhar?

Perguntas sobre propósito e direção

Você se sentiu alinhado com seus valores neste mês ou sentiu que estava vivendo no automático, fazendo o que precisa ser feito sem conexão com o que realmente importa para você?

Houve algum momento de significado, onde você sentiu que estava fazendo algo que importa? Não necessariamente algo grande, mas algo que te fez sentir que sua vida tem propósito.

O que você fez neste mês que vai lembrar daqui a um ano? Não porque foi extraordinário, mas porque foi verdadeiro, autêntico, importante para você.

Você está caminhando na direção que quer ou está sendo levado pela correnteza? E se está sendo levado, o que te impede de nadar na direção que escolheria?

Se você pudesse dar um conselho para si mesmo no início deste mês, sabendo o que sabe agora, o que diria?

Como fazer essa revisão de verdade

Não tente responder todas essas perguntas de uma vez. Escolha cinco ou seis que mais ressoam com o mês que você acabou de viver. Pegue seu caderno ou abra seu aplicativo de escrita e responda com honestidade, sem tentar fazer parecer melhor ou pior do que foi.

Escreva as primeiras respostas que vierem, mesmo que não façam sentido completo. Muitas vezes, a primeira resposta é a mais honesta, antes que você comece a filtrar ou a justificar. E se uma pergunta te incomodar especialmente, se você sentir resistência em respondê-la, essa é provavelmente a mais importante para explorar.

Faça isso no final de cada mês. Crie um ritual: último domingo do mês, ou primeira manhã do mês novo, você senta com essas perguntas e revisa. Com o tempo, você vai começar a ver padrões. Vai perceber temas que se repetem, mudanças que acontecem gradualmente, progressos que só ficam visíveis quando você olha mês a mês.

O que você descobre ao revisar

Revisar seu mês com essas perguntas te mostra algo que o dia a dia esconde: você está mudando o tempo todo. Pequenas mudanças, imperceptíveis no cotidiano, mas que se acumulam e te transformam. E quando você para para enxergar essas mudanças, pode celebrá-las, pode aprender com elas, pode decidir conscientemente que mudanças quer continuar cultivando.

Você também descobre o que está te custando caro. Padrões que se repetem e te drenam. Relacionamentos que não te nutrem. Escolhas que te afastam de quem você quer ser. E ver isso escrito, mês após mês, eventualmente te dá a clareza e a motivação necessárias para mudar.

Então reserve um tempo agora, antes que este mês se dissolva completamente na memória. Escolha algumas dessas perguntas e responda. Não para ter respostas perfeitas, mas para enxergar com honestidade quem você foi neste mês e quem está se tornando. Porque talvez, ao fazer isso, você descubra que mudou mais do que imaginava. E que há partes de você que ficaram para trás esperando serem reconhecidas, celebradas ou finalmente deixadas ir.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *